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segunda-feira, setembro 22, 2008

O Lobo e a Lua

Qual lobo que uiva
Olhando a lua ruiva
Sonhando
Qual sanha abocanha
A vontade
Indefesa, tacanha.

Vindima
De uvas turvas
De sangue esvaido
Escorrendo o mangue
Buscando o marIndeciso
Entre azul e verde a sonhar.

E a espuma vermelha
Quando o sonho se esvai
Entre o azul e o verde
O roxo se faz.

Vestindo cor não escolhida
De dor não ferida
A Lua se esconde
Do medo de amar
No austral transcende
E desaparece no dia
Sem nada entregar.

O lobo entristecido
Baixa o desejo do olhar
Numa noite ele se pos a esperar
E na manhã
Sua fome de amor
Lateja em seu corpo
Em latejos de dor.

terça-feira, julho 08, 2008

Um poema aos jovens

Em tudo buscamos motivo,
Para rir e para chorar
E há um tempo determinado
Tempo de começar e tempo de parar.
Não riremos de nossas próprias feridas.
Nem choraremos o que não causa sofrimento.

Podemos, entretanto,
Usar a máscara escondida
Da alegria incontida
Da dor fingida
Ou da mansa desilusão

Pintá-la com o vermelho e o branco
Do palhaço em dia de festa
Ou de negro e azul tristonho
Do sofrido arlequim

O primeiro
Ri para não chorar
O outro,
Pinta nos olhos
E no coração
A dor da rejeição

Mas nem tudo é circo
Nem tudo amargura
Vivemos então a pensar:
Democracia ou ditadura?
Escola ou sepultura?

Quem sabe uísque,
Ou pinga pura?

Posso tragar?
Ou engolir inteira
A fumaça da estupidez?
Ou quem sabe apenas
Deixar de ser freguês
Da antiga fórmula romana
“Pão e Circo daí a eles".

Pois,
É só
O que precisam?