Feche os olhos e imagine,
Um mundo sem paredes
Nem cimento,
Sem sons nem aquecimento,
Sem gente, sem esquecimentos.
Feche-se e olhe por dentro,
Não há nada mais aqui fora.
Deixe-se desvanecer da tua aurora
Exerça teus sentimentos.
Reflita,
Relembre bons momentos.
Deixe teu choro chegar aos olhos
E tuas lágrimas descer na face.
Encontrastes!
Encontrastes a ti mesmo.
Agora saboreie o teu eu,
Reconheça os caminhos de tua infância
Sem pensar,
Sem saber,
Só querer.
Ali você não tem dinheiro,
Ali voce não tem poder,
Você tem você, de alma inteiro,
Para descobrir-se como poderia ser.
Lembra-te quando criança?
Teus dias não tinham horas,
Dividia-se em dia e noite.
Noite de sonhar e acordar,
Dia de brincar e ir a escola.
Teu destino tomou rumos,
Da infância ignorados,
Hoje tu és homem
Muito menos que o sonhado.
Queria ser bombeiro,
Policial ou motorista
Ou então, cantor
Ou ainda, grande artista.
Respondia teus desejos
Ao impulso de sonhar.
Hoje, nem um nem outro,
Chegastes a nenhum lugar.
Corres contra o tempo
Numa ânsia de poder,
De querer o mundo de enganos
Criado pelo destruidor.
Agora abre teus olhos!
Observes!
A pobreza de paredes e ruas,
O frio do concreto, a cor cinzenta,
O louco movimento, tanto barulho!
Não foi isto que sonhastes,
Nem o que desejastes
Mas foi o que criastes.
Ânsia e ganância.
Monstros que por ti alimentados
Alcançaram tamanho e poder.
Hoje tudo comandam,
E não deixam você, ser você.
Esquadrinharam tuas noites e dias
Em segundos e milésimos.
Comem tuas noites de sonhos
E teus dias de fantasias.
Tua escola, antes divertida.
Tornou-se prisão enfurecida
Correndo atrás de ti
Para que não pares na vida.
Que vida? te pergunto,
Podem elas oferecer?
Se, por onde passam destroem.
Destroem até mesmo você?
Enquanto te adestram,
Constroem o monstro da vaidade
Da vantagem e do lucro.
Colocaram-te viseiras
No qual miras um quadro colorido
Mas é só uma pintura fria
De um mundo não sonhado.
Criaram pensando em ti
Para te iludir e dividir
Até que nada reste
Do menino que sonhou.
Por: Regina Chaves
Este blog segue estritamente o seu título, a essência do ser, o âmago, a verdade sem hipocrisia, sem ser bonito ou melhor, importa que seja voce com defeitos, leal aos pensamentos, buscar respostas, fazer questionamentos sobre verdade, mentira e sobre as convenções que nos empurram e empanturram. Podemos confiar num único julgamento, o nosso, portanto a razão se faz necessária.
segunda-feira, julho 16, 2007
A INSUSTENTÁVEL INSENSIBILIDADE DO NÃO SER
Quem pensas que sois?
A quem quer enganar?
Quando andas empertigado,
Com cujos olhos fixam o infinito?
Sois como frutos caídos,
Devorados por pragas e vermes.
Não vives,
Morres a cada dia,
Por misericórdia ou tormento.
Quem pensa que sois?
Que sois felizes?
Por ser consumido em vida,
Enquanto miras um infinito
Ao redor do teu umbigo?
A quem queres enganar?
Quando compras,
O que pensas precisar?
Não pensas,
Engana-se a cada dia,
Por misericórdia ou tormento.
Queres saber o que és?
Olhai
Para além de ti,
Escutai
Os murmúrios,
Ao curvarem-se ossos,
E o arrastar-se de carnes.
Olhai
A loucura dos lábios,
E o esbugalhar dos olhos,
Num esgar convulsivo de apego
Ao nada.
Sabes o que és?
És tu
Despido da orgulhosa armadura,
Despido do engodo
Que te fez pensar ser algo,
Ou ser um pouco qualquer coisa.
És tu,
Diante de ti mesmo,
Embrutecido
Ao descobrires tua inanidade.
Não duvides
Acredites a cada dia,
Por misericórdia ou tormento.
E assim,
Poderá transformar-se
Em algo próximo
De coisa
Destituída de matéria.
Por: Regina Chaves 14/06/2006
A quem quer enganar?
Quando andas empertigado,
Com cujos olhos fixam o infinito?
Sois como frutos caídos,
Devorados por pragas e vermes.
Não vives,
Morres a cada dia,
Por misericórdia ou tormento.
Quem pensa que sois?
Que sois felizes?
Por ser consumido em vida,
Enquanto miras um infinito
Ao redor do teu umbigo?
A quem queres enganar?
Quando compras,
O que pensas precisar?
Não pensas,
Engana-se a cada dia,
Por misericórdia ou tormento.
Queres saber o que és?
Olhai
Para além de ti,
Escutai
Os murmúrios,
Ao curvarem-se ossos,
E o arrastar-se de carnes.
Olhai
A loucura dos lábios,
E o esbugalhar dos olhos,
Num esgar convulsivo de apego
Ao nada.
Sabes o que és?
És tu
Despido da orgulhosa armadura,
Despido do engodo
Que te fez pensar ser algo,
Ou ser um pouco qualquer coisa.
És tu,
Diante de ti mesmo,
Embrutecido
Ao descobrires tua inanidade.
Não duvides
Acredites a cada dia,
Por misericórdia ou tormento.
E assim,
Poderá transformar-se
Em algo próximo
De coisa
Destituída de matéria.
Por: Regina Chaves 14/06/2006
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